Autor: Mariane Domingos (página 26 de 43)

“Quando éramos todos jovens, chocolate era Chokito. A gente pedia uns trocados para a mãe ou para o pai e ia feliz até a padoca comprar um Chokito. Mas isso foi antes do chocolate virar o que virou. E isso é muito bom. A gente aprende que Chokito nem poderia ser considerado um chocolate, mas um confeito, e nosso paladar se aperfeiçoa a tal ponto que, de repente, a gente não consegue nem sentir o cheiro de algo que tenha menos de 63,5% de cacau!”

 

Rita Lobo em Panelinha – Receitas que funcionam

[Divã] Jornalismo e literatura

O Dia do Jornalista, comemorado na última sexta-feira, 7 de abril, me fez pensar em grandes escritores que também atuam no jornalismo. Uma tentativa, talvez, de compreender por que, há dez anos, quando prestei vestibular, escolhi essa formação, rs. A lista, bem extensa, revelou uma variedade de épocas e estilos que mostram as nuances da relação entre as duas profissões.

O escritor francês Honoré de Balzac foi o primeiro que lembrei. Ele exerceu intensamente na juventude a atividade jornalística, com artigos sobre política, literatura, filosofia e mais duas outras áreas em que poucos o imaginam. Balzac foi crítico pioneiro de moda e de gastronomia na Paris dos anos 1820-30. O livro Tratado da Vida Elegante, publicado ano passado pela Penguin Companhia no Brasil, reúne esses textos.

O jornalismo era tão presente na realidade de Balzac que aparece quase como um personagem em um de seus romances mais famosos, Ilusões Perdidas. Nele, o jovem poeta Lucien abandona sua vida provinciana e vai para Paris, onde realiza o sonho de ser jornalista e é definitivamente corrompido pela vaidade social. Sua ascensão na profissão acompanha sua decadência moral:

Uma vez admitido no jornalismo e na literatura em pé de igualdade, Lucien percebeu as enormes dificuldades a serem vencidas no caso de querer se elevar: todos consentiam em tê-lo como igual, ninguém o queria como superior. Imperceptivelmente, ele renunciou, pois, à glória literária, acreditando que a fortuna política era mais fácil de ser obtida.

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[Resenha] O Ventre da Baleia

Em um ano e meio, Tomás vê sua vida dar uma reviravolta que o tira do eixo em todos os sentidos – pessoal e profissional. Esse é o objeto da história de O Ventre da Baleia, livro do escritor espanhol Javier Cercas, que pode ser caracterizado como um drama cômico, com pitadas de romance policial.

Como o próprio Tomás, o narrador-personagem, define, trata-se de uma “história inventada, mas verdadeira”, uma “crônica de verdades fictícias e mentiras reais”. O ponto de partida para a trama pitoresca é o seu reencontro com Claudia, uma paixão platônica da adolescência que volta à sua vida em uma situação casual, durante um fim de semana em que a esposa de Tomás, Luisa, estava fora da cidade em um congresso.

Quando se depara com Claudia, o narrador sente todos os desejos da longínqua adolescência voltarem com força para conduzi-lo à sua primeira infidelidade no casamento. A partir daí, uma sucessão de acontecimentos aniquila uma a uma as rotinas que lhe garantiam uma vida tediosa, mas bem equilibrada e planejada.

Professor assistente do departamento de estudos literários da Universidade Autónoma de Barcelona, Tomás segue os passos de uma carreira que tem tudo para se consolidar no meio acadêmico, ainda que tardiamente, considerando que alguns colegas de sua mesma faixa etária já ocupam o posto de professor titular. Luisa, sua esposa há cinco anos e com quem espera seu primeiro filho, também desfruta de uma sólida posição no meio acadêmico de História, o que colabora para a pressão do sucesso profissional de Tomás.

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“O principal é não mentir para si mesmo. Quem mente para si mesmo e dá ouvidos à própria mentira chega a um ponto em que não distingue nenhuma verdade nem em si, nem nos outros e, portanto, passa a desrespeitar a si mesmo e aos demais.”

 

Fiódor Dostoiévski em Os Irmãos Karamázov

[Lista] 5 lugares fictícios da literatura

Criar uma história e um personagem já requer uma habilidade admirável. Imagine, então, inventar um lugar que não existe? Cidades, países, reinos e mundos novos: a literatura está cheia desses cenários que nos encantam e nos intrigam com suas paisagens e culturas diversas, nem sempre tão distantes de nossa realidade. Na lista de hoje, separei 5 lugares fictícios, de fábulas a distopias, que exploram o imaginário para abordar dilemas políticos e filosóficos.


17.03.27_lista_lugares_ficticios_21. Macondo, em Cem Anos de Solidão:
impossível não incluir nessa seleção a aldeia fictícia mais famosa da literatura latino-americana. Gabriel García Márquez, escritor colombiano mestre do realismo mágico, deu vida a Macondo a partir da incrível história das sete gerações da família Buendía, cujas raízes estão no mítico povoado. O apogeu e o declínio da aldeia se confundem com os sucessos e fracassos da estirpe.

Macondo era então uma aldeia de vinte casas de pau a pique e telhados de sapé construídas na beira de um rio de águas diáfanas que se precipitavam por um leito de pedras polidas, brancas e enormes como ovos pré-históricos. O mundo era tão recente que muitas coisas careciam de nome, e para mencioná-las era preciso apontar com o dedo.

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